ArtigosA busca por um tema

Prof. Ms. Cristiano Starling Erse
Coordenador de Monografias

Para o escritor italiano Humberto Eco (2009), as etapas de elaboração do trabalho acadêmico envolvem: (1) identificação de um tema preciso, (2) recolhimento de documentação sobre ele, (3) ordenação de tais documentos; (4) exame do tema em primeira mão à luz de tais documentos, (5) formalização orgânica das reflexões precedentes e (6) empenho para que o leitor compreenda a mensagem que se deseja passar.

O primeiro passo, e talvez o mais difícil e importante, é, assim, a escolha de um tema adequado, pois esta é a decisão chave de todo o processo de elaboração científica, da qual todas as outras dependerão.

Escolher um tema é, essencialmente, encontrar um objeto de estudo que mereça ser investigado pela ciência e que, embora amplo, tenha condições de ser formulado e delimitado em função da pesquisa por meio de uma indagação norteadora (problema). Tema não se confunde com a área de conhecimento, tampouco com o título do trabalho, apesar de guardar profunda relação com ambos.

Surge, neste contexto, a questão que costuma aterrorizar o sono dos alunos em fase de elaboração de projeto: Como descobrir se um tema é ou não adequado?

Vários são os doutrinadores que têm, ao longo dos anos, tentado responder objetivamente à pergunta. Todavia, não se chegou a uma teoria uníssona e aceita por todos. Ocorre que as pessoas são de fato diferentes e cada um deve descobrir qual o melhor método de busca individual. Não há, portanto, uma receita de bolo pronta e infalível que todos possam utilizar matematicamente.

Isso não significa, contudo, que as lições e reflexões dos mestres da academia não sirvam de parâmetro direcionador, razão pela qual passo a relatar algumas dessas dicas.

Para Umberto Eco (2009), a escolha de um tema deve observar cinco regras básicas: (1) que o tema responda aos interesses do candidato; (2) que as fontes de consulta sejam acessíveis; (3) que as fontes de consulta estejam ao alcance cultural do candidato; (4) que o quadro metodológico esteja ao alcance da experiência do candidato; (5) que o professor orientador seja adequado.

Nessa seara, a minha experiência no magistério demonstra com clareza que dificilmente um aluno fará uma boa monografia se não tiver intimidade com área de concentração e gosto pelo tema escolhido. Do mesmo modo, não adianta o interesse pelo tema, se as fontes de informação estiverem fora da esfera material ou intelectual do discente, o que poderá acarretar em grande frustração.

Metaforicamente, costumo comparar a elaboração do trabalho de conclusão de curso ao processo de produção culinária. Não basta desejar fazer um delicioso “filé ao molho madeira”, se lhe faltarem os ingredientes, uma cozinha bem aparelhada, algumas receitas confiáveis e um chef com conhecimento e experiência para orientá-lo sobre os temperos e as proporções.

O Professor Gladston Mamede (2001) ressalta ainda que alguns pontos merecem destaque quando se trata de trabalho destinado à avaliação. Para o renomado autor, o tema deve ser: (1) relevante do ponto de vista disciplinar, uma vez que não se faz ciência daquilo que é insignificante; novo quanto ao enfoque e organização das idéias; viável em sua realização; e planejado quanto à sua abrangência.

Amadurecida a idéia a respeito do tema, os demais elementos do projeto de monografia fluirão com facilidade. Amadurecido o projeto, a elaboração da monografia será menos tormentosa. Amadurecida a monografia, a defesa será mais agradável. Finalizado o processo, passe a projetar a sua carreira. E lembre-se, pense e pratique.

Referências

ECO, Humberto. Como se faz uma tese. 22ª. Ed. São Paulo: Perspectiva, 2009.
MAMEDE, Gladston. O trabalho acadêmico no direito: monografias, dissertações e teses. Belo Horizonte: Mandamentos, 2001.

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